Frase do dia:


"Eu não temo o Ministério Público, nem a Polícia Federal. Agora, tem gente graúda aí que anda fugindo da Justiça.

E como não conseguem se explicar, porque lhe pagaram tantas contas, botam a culpa no FHC. Francamente,

virou gozação."

 

 

(Fernando Henrique Cardoso)

 

 

Frase do dia:


"Eu não temo o Ministério Público, nem a Polícia Federal. Agora, tem gente graúda aí que anda fugindo da Justiça.

E como não conseguem se explicar, porque lhe pagaram tantas contas, botam a culpa no FHC. Francamente,

virou gozação."

 

 

(Fernando Henrique Cardoso)

 

 

Sinceramente? Temos um depoimento ansiosamente aguardado para para o dia 14/03. Não acredito. Só vendo. Ainda lhe sobram duas saídas: internar-se no Sírio Libanês onde conta com a proteção de médicos ou pode simplesmente se escafeder. Vamos aguardar. Quanto à cara metade aí já não digo nada.

Bom. Agora complicou de vez. Parece que o PT está tentando se livrar da madame. Tem festinha de aniversário e madame não quer ir comer docinhos... 

Temer tenta se descolar do governo como se nunca tivesse feito parte dele. A oposição tenta pegar carona no movimento do dia 13 próximo... Sei lá! Errará feio quem arriscar um palpite para as  próximas 48 horas. 

Piadinhas no Face:


 

EM DEFESA DE..

 

O ex presidente que agora é presidentro não tem celular, nem triplex, nem sitio em Atibaia, nem ilha em Angra, nem marqueteiro nas campanhas que fez, nem um monte de palestras pagas em dólares e euros, nem dinheiro trocado para o táxi. E por isso se encontra em profunda crise depressiva em lugar incerto onde poderá recuperar seu psicológico que essa cambada de invejosos, sem eira nem beira, colocaram abaixo do rodapé da senzala!
Nunca usou avião de "amigos" e nem ouviu falar em um monte de gente que está presa, e em um monte de gente que está des-presa por liminar, ou HC, ou brechas da lei, ou maracutaia mesmo, que a justiça falha, mas não tarda!
Se duvidar não conhece nem os filhos, noras, empregados diretos e indiretos, pra falar a verdade ele nem sabe quem é Miriam, Rosimary ou Marisa. 
E eu acredito nisso, claro, até porque não tenho um centavo no bolso, então sou do partido dos trabalhadores desempregados, estou longe de pertencer a essa zelite e a essa classe média que tem gente que odeia, com razão, e berra isso a plenos pulmões... 
Ora bolinhas, gente chata que só sabe chorar miséria e entupir corredor do SUS. Vai pagar plano de saúde, aprenda a vender bala no sinal, se vira e para de pegar no pé do ser mais honesto do mundo inteiro, quiçá de outras galáxias.
A única coisa que ele sabe (e eu também sei só disso) é que a coisa está feia no país, só que a culpa é das zelite, e ponto!
A partir de agora não quero mais escutar mimimi de perdedor.
Cada um coloca sua culpa nas costas, paga CPMF de bico calado, assista o programa que vai ao ar daqui a pouco e pare de chorar. Engole esse choro agora! 
Poxa, somos todos adultos, gente.
Agora saindo pra conversar com as fadinhas do meu jardim, ainda tenho que dar água pros gnomos e ver onde enfiei a porcaria da minha varinha de condão, depois eu volto, inté.

 

De Elza Fraga

E para recomeçar com assuntos quentes, que não gosto de discutir no Face, a história daquela senhora que foi amante de um ex presidente que coisa mais sórdida! 

A moça deu um tiro no próprio pé e no pé de quem lhe pagou. Uma pergunta que me faço é por que esta fixação em FHC? Ele deve ter algum atrativo extra. Os seus adversários chegam a ser mais numerosos do que os do Dr. Honoris! O Dr. Honoris só tem seus próprios inimigos - FHC tem os seus e mais os do outro!

Odeiam FHC. Mas quem é FHC hoje no contexto? Nada! Sem mandato há 13 anos  e não o esquecem? Que horror!  Curioso é que uma figura carimbada da república mantinha a sua "gestante" com dinheiro de empreiteiras e o processo se arrasta indefinidamente pelos porões da Justiça. Questionam o dinheiro que FHC gastou com um filho que nem era seu. Dizer como a chorosa "senhora" diz que duvida dos resultados dos exames  DNA é fazer pouco da nossa inteligência. O que aconteceu é que madame sentiu que os filhos de FHC não vão aceitar dividir a herança com um estranho. Então um dinheirinho extra viria a calhar. E sabemos como são generosos. Pagam em milhões.... Mas o dinheiro acaba, a "senhora", cada vez mais velha não terá como usar de novo esta história suja, da qual ela foi a pior personagem.

De Volta!

Me decidi a retomar este blog. É meu filhinho preferido. Aqui vou escrever o que quero e sem patrulhamento. 

E vou começar pela briga "intervencionistas versus impeachmentistas". Coisa mais boba. O importante é tirar Lady Zica. O resto depois  a gente negocia. Parece a história dos dois burrinhos. Em vez de se juntarem para comer o feno puxam um para cada lado!


Vamos dar uma descansada e bater papo?

 

 

Histórias que mamãe contava ....

 

Minha mãe nasceu em 1917. E morreu em 1967. Mas apesar do pouco tempo de vida viveu intensamente. Era muito bonita. De rosto e de corpo. Descendente de portugueses por parte de pai e índios puris por parte de mãe, tinha uma  beleza exótica. Brava! Muito mesmo. Severa, batia na gente pra valer. Mas soube educar as filhas.

E vamos aos “causos” de mamãe:

Ela se dizia namoradeira para valer. Tomar namorados alheios e depois sair fora era com ela mesma. Não perdia bailes e dançava muito. Talvez por isto nenhuma de nós aprendeu dançar,  pois ela jamais admitiu suas filhas em um baile. Sabe a resposta que dava quando reclamávamos? “Façam aquilo que eu digo e não façam aquilo que eu faço”... Que pedagogia heim?

Meu avô cansado das reinações dela lhe arranjou um noivo! Que ela, claro, odiou desde o primeiro instante. Mas naquela época (1934) como uma moça mineira ousaria desobedecer? Seria levada à igreja nem que fosse arrastada pelos cabelos!

Mas o que foi o dia do casamento é pura diversão: Meu pai, farrista, que não gostava do batente, tinha uma vida de playboy: Saía para os bailes sábado, emendava até 5ª feira, voltando para casa para lavar o terno (branco) e se preparar para a próxima! Pois foi o castigo que meu avô planejou para minha mãe. E chega o dia fatídico. Depois eu conto como eram os casamentos naquela época. Minha mãe às 9 horas na igreja e meu pai simplesmente não aparecia. (Chegou às 3 da tarde). Depois souberam o que aconteceu. Ele chegou na casa de um amigo, tão amigo que seria o padrinho do casamento e foi meu padrinho de batismo. Vira-se com a cara mais limpa e diz que precisava de um terno para casar ou dinheiro para fugir! Meus padrinhos horrorizados disseram que ele se casaria de qualquer maneira! E Madrinha Belinha foi lavar e secar à ferro (de carvão) o terno com o qual, afinal às 16 horas ele se casou... rss



E novamente o tempo esquenta pro meu lado!


Namorar escondido que ridículo, sair com mil desculpas esfarrapadas, virar evangélica... rss. Ia para a Igreja Batista com uma vizinha e a filha que também namorava escondido. Ficávamos em lugares estratégicos. Quando os fiéis fechavam os olhos para melhor ver Jesus escapávamos para a praça em frente. Ela namorava em um canto e eu no outro. Gente namoro mesmo! Coisa muito família. De vez em quando dávamos uma corridinha dentro da igreja para marcar presença! Não adianta prender filha! Ela sempre vai te tapear e olha que minha mãe não era fácil! Aí a imbecil aqui dá um passo em falso e engravida. O jeito foi me mandar de casa. Em agosto de 1958 nasce a minha primeira filha, mais um fracasso e eu volto pra casa! Grávida da segunda filha que nasceu em agosto de 1959! Em termos de escolher maridos eu não era muito esperta!

Em  agosto de 1958, acredito que dia 2 ou 3, aconteceu uma quase tragédia no Rio de Janeiro.
De repente uma  série de explosões fizeram estremecer todo o subúrbio. Em Deodoro, Zona Oeste do Rio de Janeiro o paiol de infantaria do Exército pegou fogo que se espalhou por vários outros. Ninguém sabia do que se tratava, apenas as explosões e projéteis sendo lançados ao ar. Parecia o fim do mundo e as pessoas começaram a correr desesperadas sem saber para onde ir. Durante dois dias tudo explodindo. Como a Serra de Gericinó corre  paralela aos bairros de Realengo, Padre Miguel, Bangu e Senador Camará a esplosões pareciam se multiplicar pois o som reverberava nas serras.
Eu enorme, minha filha nasceria a 10 de agosto, morando sozinha em um quarto alugado em Realengo, simplesmente saí andando sem destino como todas as outras pessoas. Era um mar de gente, e como a encrenca começou à noite as pessoas correram para a rua da maneira que estavam em casa. De camisola, pijama... enfim o caos! Ao amanhecer uma imensa nuvem de fumaça cobria todo a cidade. E como já mais ou menos sabiam um pouco o que tinha acontecido começaram a voltar exaustas para suas casas. Segundo soube depois, minha mãe saiu com a filharada, meu pai trabalhava de noite, e foram parar muito longe de casa. Conseguiram carona em um caminhão e voltaram mas muito assustados.  Eu não consegui andar muito - cerca de dois quilômetros - me sentei em um banco de praça e me entreguei a Deus! Este relacionamento também não durou muito. Acabou quando eu engravidei da segunda filha! Aí quem levou o chute fui eu! E volto humilhada mais uma vez para o ninho!

E a vida continua seu curso...


     Bem, como diria o bordão de uma novela, quanto ao tal casamento não vou contar os “detalhes sórdidos”. Estou tentando fazer algo agradável de ler e não um dramalhão mexicano. Apenas o tal tão desejado casamento durou de junho de 1955 até março de 1956! E lá vou eu pedir asilo político na casa do meu pai!
     Em 1956, eu, a espertinha, a valente, com 18 anos, era a “largada do marido”, a vergonha da família e o mau exemplo para as irmãs! Que tinham me avisado... e tudo aquilo que uma maluca que se atrevesse a dar um pontapé no traseiro do consorte escutava.
    Se pensam que aquilo me tornou alguém mais maleável esqueçam. Usava calças compridas, fumava... era o desespero da minha mãe. Quando as brigas ficavam mais frequentes, comprava um jornal, arranjava um emprego em casa de família e me mandava... rss.
      E assim a vida ia levando a vida. Surge a televisão. O nosso aparelho foi o primeiro do prédio. A vida afinal estava de bem com a gente.
       Ia ao cinema quase todos os dias. Vi tanto filme bom que hoje não assisto mais nada.  Suplício de Uma Saudade, saí chorando do cinema..., Sissi a Imperatriz, Cantando na Chuva, filmes de Charle Chaplin além de bons filmes brasileiros com Anselmo Duarte e Eliana, Glauce Rocha, Cyl Farney - Deus que homem lindo! Ria com Oscarito e Grande Otelo..., com Zezé Macedo. Quem viu tudo isto não precisa de mais nada! Lia compulsivamente! Lia muito. O que era “próprio” e o que não era! Lia da Bíblia ao Cortiço! Alguns tinha que ler escondida ou me mãe me dava umas boas bolachas... rss.
     Carnaval as famílias saiam passeando com as crianças para ver os grupos fantasiados de caveira, os bate-bolas, dominós, pierrôs, arlequim e colombinas, lança perfume cheiroso e gelado jogado nas costas das moças pelos rapazes mais afoitos e de maneira que os pais não vissem.  Eu ia levando minha vidinha até um tanto divertida. Poucas amigas. Imaginem se as mães deixariam suas doces filhas fazer amizade comigo! E vem a segunda coisa estúpida: Depois de dois anos arranjei, para desespero da família, um novo amor...rs
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A doce vida em Padre Miguel.

Padre Miguel já era um enorme conjunto residencial. As ruas maiores tinham três blocos de cada lado. Cada bloco com sete entradas e cada entrada com oito apartamentos. dois por andar pois os prédios tinham quatro andares. Em um pedaço da área, bem próximo à estação de Padre Miguel construiram três prédios novos. Com as ruas pequenas  apenas um bloco em cada rua. E foi em um destes que fomos morar. Meu Deus! Nunca tínhamos visto um apartamento de perto. Era enorme. Três quartos, uma sala, uma cozinha, um banheiro e uma área de serviço - cômodos todos grandes, janelas envidraçadas enormes. Enfim um “senhor” apartamento. Nas pontas das três ruas de um lado um colégio estadual e do outro uma praça com um cinema. Era o céu!  A frente dele era gramada. À noite colocávamos cobertores na grama nos sentávamos todos e ficávamos até tarde conversando e as crianças brincando e correndo. Ali moravam só operários, muitos da Fábrica de Tecidos Bangu. Dali à fábrica dava para ir de bicicleta. Transporte para o Centro do Rio os trens. A vida naquele tempo no Rio era realmente muito boa. Saíamos à vontade, passeávamos pelas ruas do conjunto, no final dos prédios um comércio pequeno mas supria as necessidades urgentes, principalmente alimentação. Leiteiro e padeiro entregando nas portas todas as manhãs. Enfim - um porto seguro!
Uns quatro meses após nos mudarmos para lá faço a primeira grande asneira: me caso!

Afinal um porto seguro!

Antes de entrar na história da nossa vida em Padre Miguel é preciso esclarecer como funcionava o que hoje é conhecido como "seguridade social". Cada categoria de trabalhadores tinha o seu instituto: IAPI - Instituto de Aposentadoria dos Industriários, IAPB - Instituto de Aposentadoria dos Bancários, IAPC - dos comerciários... Tudo funcionava a contento. Os  IAPs, por exemplo contruíam prédios muito bons que vendiam para seus filiados. A espera durava anos mas valia a pena esperar. A seleção era criteriosa e a prioridade era o número de filhos. Deve-se levar em conta também que após o empregado completar 10 anos no mesmo emprego adquiria estabilidade, só podendo ser demitido por justa causa. O empregado a cada ano de trabalho no mesmo lugar fazia jus a um percentual que se acumulava e sendo dispensado recebia imediatamente a indenização. Ainda os IAPs mantinham serviço médico de ótima qualidade. O Hospital do IAPI era na Praça Cruz Vermelha.  A digressão é necessária pois menos de dois meses residindo em Agostinho do  Porto e papai é convocado para receber um apartamento em Padre Miguel. Ele nem contava mais com isto pois havia feito a inscrição uns cinco anos antes.

Saída de Duque de Caxias.

    Meu pai começou a temer pela família. A cidade não era grande e nós morávamos praticamente no centro. Os assassinatos políticos eram frequentes e ele resolveu se mudar. Arranjou uma casa em Gramacho - uma gracinha de casa. Branquinha e com uma varandinha na frente. E nos mudamos. Talvez setembro de 1954. Ficamos uns 3 meses e não sei porque ele resolveu mudar de novo. Fomos para Agostinho do Porto, uma casa enorme, em um lugar um tanto deserto. Acredito que tantas mudanças era para por um fim ao tal noivado que caminhava a trancos e barrancos. Desta casa me lembro de uma noite em que começamos a ouvir um barulho estranho, estávamos com muito medo mas mamãe não se intimidou: pegou uma foice e saiu devagarzinho pela porta da cozinha deu volta à casa e nada encontrou. Continuamos a prestar atenção e quando passou o próximo trem - a estação era perto - entendemos que o barulho era causado pela trepidação gerada pela passagem dele. Voltamos a dormir sossegadas.
     Também me lembro de ter ganho de presente do noivo uma vitrola de mesa e vários discos que eu ouvia sem cessar...O amor é lindo!

O assasinato de Albino Imparato.

     O Delegado, paulista,  foi mandado para Duque de Caxias por ordem do próprio presidente Getúlio segundo comentários, e com a incumbência de cortar as asas de Tenório Cavalcante que já estavam grandes demais.
Mandou metralhar a casa de  Tenório, matou vários de seus capangas enfim ... foram dias de terror mesmo.
     Em  28 de agosto de 1953, Imparato foi  metralhado  dentro de próprio carro carro, em frente à sua casa,  no centro da cidade.O crime repercutiu  em todo o país. Ficou comprovado que a ordem partiu diretamente de Tenorio. Mas aliados de peso como Nereu Ramos, presidente da Câmara dos Deputados, Osvaldo Aranha e o deputado Afonso Arinos livraram-no da polícia.
     Dá para ver que o que acontece em nossos dias não chega a ser novidade.
    Em 1954 Tenório fundou o jornal Luta Democrática, do qual se servia para atacar desafetos e adversários, entre eles Getúlio Vargas. O jornal chegou a ser o terceiro maior do Rio de Janeiro nos anos 60. Trazia manchetes horríveis e dele
diziam que se fosse torcido sairia sangue.


Faroeste brasileiro.

      O “clima” em Duque de Caxias na década de 1950 não era o que se poderia dizer saudável...Muita violência. Imperava na cidade Tenório Cavalcante. Rei da Baixada para os admiradores, deputado pistoleiro para os adversários. Nascido em Alagoas, Palmeira dos Índios,  protegia e ajudava os pobres, a maioria nordestina, e com isto angariava aliados fiéis dispostos a morrer por ele. Residia com a família em uma verdadeira fortaleza no centro da cidade. Tinha aliados poderosos e  inimigos ídem. Conhecido como “o homem da capa preta” sua história foi contada no filme do mesmo nome com José Wilker no papel principal.
Andava sempre com uma submetralhadora alemã - a inseparável “Lurdinha”, escondida sob a famosa capa preta que lhe rendeu o apelido. Arma que recebeu de presente do General Gois Monteiro um dos seus amigos.

Desafiar Tenório era encomendar a sepultura. Volto a encontrá-lo em 1972, quando  trabalhava na 4ª Vara Criminal de Duque de Caxias em um de seus julgamentos - Talvez a única vez que o vi ao vivo e a cores - O do assassinato do delegado Albino Imparato ocorrido em 28 de agosto de 1953! Conto no próximo post. Encontrei a foto abaixo do Arquivo Nacional - acervo "Correio da manhã.

Pompa e circunstância!

Parte 1. A missa dos domingos, às 8 horas era a missa do Colégio Santo Antônio. De comparecimento obrigatório e as faltas tinham que ser justificadas. Saíamos do pátio do colégio –em uniforme de gala – saia azul marinho, blusa branca de mangas compridas e boina azul. Véu e  missal obrigatórios. O missal lindo. Livrinho de orações e cânticos com capa de madrepérola branca. Assim formadas saiam, as meninas duas a duas, as menores à frente, descíamos a Rua Bitencourt, atravessávamos a Nilo Peçanha, caminhávamos por ela cerca de 100 metros até atingir a rua onde ficava a igreja , quase na esquina. Entrávamos no mais absoluto silêncio, já com o véu branco cobrindo a cabeça e ocupávamos nossos lugares e enfim a missa. O uso do véu era obrigatório dentro da igreja. Moças véu branco e senhoras casadas com ele preto.  Missa bonita, em latim,  acompanhada por hinos cantados por nós ao som do órgão tocado magistralmente por Madre Hildegard.

       As festas religiosas era de comparecimento obrigatório. Mês de Maria, Festa de Santo Antônio, precedida de novena – esta a mais bonita das festas pois o santo é o padroeiro da cidade. Corpus Cristi também lindíssima com suas ruas enfeitadas. Creio que perdi a graça, me tornando agnóstica  pois a Igreja da minha infância com sua pompa acabou. Hoje é muito sem graça, sem beleza, sem emoção. No próximo post a vida política – e policial – da cidade.

A vida em Duque de Caxias nos anos 50

O  Faroeste brasileiro. (1)

     Duque de Caxias, município no antigo Estado do Rio de Janeiro, na Baixada Fluminense, naquela época era terra de ninguem. Sempre foi violenta.  Constituída de bairros populares e favelas que absorviam os migrantes que se destinavam à cidade do Rio de Janeiro. Naquela época já era uma cidade dormitório.
    A cidade contava com bom e diversificado comércio, dois bons colégios – o Ginásio Santo Antônio onde se formavam as “normalistas” que saiam aptas a lecionar e o Colégio São José. Ambos ainda em atividade. Um cinema e uma igreja matriz enorme.
Sobre o Santo Antônio falo no post a seguir.


O fato mais marcante dos anos 50


     O presidente era Getulio Vargas pela segunda vez, na primeira foi deposto em 1945, em 1950 concorreu e foi eleito pelo voto dos trabalhadores tomando posse em 1951. Foi um período conturbado pois ele tinha contra si inimigos poderosos dos quais o pior era Carlos Lacerda. Em agosto de 1954 Lacerda sofreu um atentado promovido por Gregório Fortunato chefe da guarda pessoal de Getulio.O chamado atentado da Rua Toneleros. Neste atentado morreu um major da Aeronáutica - Rubens Vaz.  Cresce a pressão, com a Aeronáutica criando a sua "comissão da verdade". Apurado o envolvimento de pessoas muito próxima ao presidente passaram a exigir a sua renúncia. Na passagem do dia 23 para 24 de agosto Getúlio reuniu seus ministros para avaliar o cenário. Se vendo sem apoio e na iminência de ser preso subiu para o seu quarto que ficava no terceiro andar do Palácio do Catete e se suicidou. Entre o atentado da Rua Toneleros e a morte de Getúlio transcorreram apenas 19 dias - um dos períodos mais tensos do país.
     Afinal Getúlio vencia! Preferiu a morte à prisão e à desonra, retirando a escada e deixando seus inimigos pendurados no teto. Diga-se o que quiser de Getulio, façam as críticas que quiserem mas não podem tirar dele o mérito de ter construído Volta Redonda e lançado as linhas do que hoje é a Petrobrás. Também não lhe tirem a coragem que os homens públicos do país hoje desconhecem. A reação à humilhação e desmoralização para o homem de honra é a morte!

Afinal como ele mesmo escreveu na sua famosa carta testamento saiu da vida e entrou na História! Mas entrou na História de cabeça erguida!



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